
RESULTADOS
Foram encontrados 12 espécimes de nematóides no
intestino de A. britskii e 13 em A. lacustris
identificados como Rhabdochona (Rhabdochona)
acuminata (Molin, 1860). Os índices parasitários
foram em A. britskii: prevalência (P) = 12,2 %,
intensidade média (IM) = 2,4 e abundância média
(AM) = 0,3; e em A. lacustris: P = 10,6 %, IM = 2,6
e AM = 0,3.
Estes nematóides de tamanho médio apresentaram
prostômio em forma de funil, relativamente
comprimento total e a intensidade e abundância; o
coeficiente de correlação de Pearson, r, usado para
avaliar a correlação entre a prevalência parasitária
(com prévia transformação angular dos dados) em
relação às classes de tamanho dos hospedeiros,
estimadas pela fórmula de Sturges (Sturges, 1926);
o teste U de Mann-Whitney, utilizado para avaliar
possíveis diferenças entre a abundância e o sexo
dos peixes (não foi possível correlacionar a
intensidade parasitária com sexo dos hospedeiros,
pois, somente um macho em ambas as amostras de
cada espécie de peixe estava parasitado); e o teste t
de “Student”, usado para verificar possíveis
diferenças entre o peso e o tamanho dos
hospedeiros em relação ao sexo dos mesmos. As
análises estatísticas aplicadas às infrapopulações
parasitárias seguiram Zar (2000). O nível de
significância adotado foi p ≤ 0,05.
Os espécimes de parasitos foram medidos com o
microscópio Alphaphot-2 – Nikon. Foi informado
em micrometros (µm) a média e os valores mínimo
e máximo (apresentados entre parênteses) de cada
caractere medido; caso contrário, outra unidade
métrica foi indicada após os respectivos valores. A
morfometria pouco variável dos nematóides dos
dois hospedeiros foi baseada em cinco espécimes
fêmeas e dois espécimes machos.
Espécimes representativos da espécie de
nematóide estudada de A. britskii foram
depositados na Coleção Helmintológica do
Instituto Oswaldo Cruz (CHIOC), Manguinhos,
RJ, sob os números 35755 (macho) e 35756
(fêmea). Espécimes representativos dos
hospedeiros foram depositados na Coleção de
Peixes do Museu da Universidade de São Paulo,
São Paulo, Brasil, sob numeração MZUSP 105885
e MZUSP 105886.
pequeno e a superfície interior suportada por
estriações longitudinais terminando perto do final
da região anterior como dentes; deirídeos bem
desenvolvidos, simples, situados a uma curta
distância da região posterior do prostômio; cauda
cônica nos machos e tipicamente pontiaguda nas
fêmeas.
Os machos apresentaram as seguintes medidas:
comprimento do corpo = 7,4 mm (6,1 - 8,8 mm);
largura do corpo = 107,0 (88,0 – 127,0);
comprimento do prostômio = 25,0; largura do
prostômio = 15,0; vestíbulo com prostômio = 124,0
(122,0 – 127,0); esôfago muscular = 323,0 (294,0 -
352,0); esôfago glandular = 1,9 mm; distância da
extremidade anterior até os deirídeos = 23,0 (20,0 –
27,0); distância da extremidade anterior até o anel
nervoso = 166,0 (156,0 – 176,0); distância da
extremidade anterior até o poro excretor = 191,0
(186,0 – 196,0); espículo maior = 379,0
(372,0 – 387,0); espículo menor = 112,0 (107,0 –
117,0); cauda = 298,0 (294,0 – 303,0). As fêmeas
apresentaram as seguintes medidas: comprimento
do corpo = 12,6 mm (11,0 - 14,6 mm); largura do
corpo = 195,0 (175,0 – 225,0); comprimento do
prostômio = 30,0 (27,0 – 32,0); largura do
prostômio = 21,0 (20,0 – 25,0); vestíbulo com
prostômio = 118,0 (112,0 – 130,0); esôfago
muscular = 387,0 (323,0 – 450,0); esôfago
glandular = 2,9 mm (2,3 - 3,8 mm); distância da
extremidade anterior até os deirídeos = 34,0 (32,0 –
37,0); distância da extremidade anterior até o anel
nervoso = 195,0 (127,0 – 225,0); distância da
extremidade anterior até o poro excretor = 247,0
(210,0 – 275,0); distância da extremidade posterior
até a vulva = 5,9 mm (5,2 - 8,0 mm); cauda = 233,0
(227,0 – 245,0); ovos = 31,0 x 18,0.
Tanto as fêmeas de A. britskii (tamanho: t = 48,6, p
< 0,0001; peso: t = 12,7, p < 0,0001) quanto as de A.
lacustris (tamanho: t = 45,6, p < 0,0001; peso: t =
7,3, p < 0,0001) foram significativamente maiores
e mais pesadas que os machos das respectivas
espécies. Contudo, a prevalência, a intensidade e a
abundância de R. acuminata não foram
influenciadas pelo tamanho (A. britskii - P: r = 0,01,
p = 0,9; IM: r = 0,4, p = 0,5; AM: r = 0,1, p = 0,7; A.
s s
lacustris - P: r = 0,6, p = 0,2; IM: r = 0,1, p = 0,9;
s
AM: r = 0,5, p = 0,1) e nem pelo sexo dos
s
hospedeiros (A. britskii - P: R = 1,2, p = 1,0; AM: U
r
= 121,0, p = 0,9; A. lacustris - P: R = 0,5, p = 0,6;
r
AM: U = 275,0, p = 0,4) em ambas as espécies de
peixe.
Neotrop. Helminthol., 5(1), 2011
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